Jânio da Silva Quadros nasceu em 1917 e construiu a própria imagem como se estivesse dirigindo um espetáculo. Advogado, professor, escritor… mas, acima de tudo, mestre da narrativa política.
Nos anos 1950, foi prefeito e governador de São Paulo. E aí veio o marketing antes do marketing existir: a vassoura 🧹
Promessa? “Varreção” geral na corrupção.
Discurso moralizador, tom dramático, gestos calculados. Ele não fazia política… ele performava política.
E funcionou. Em 31 de janeiro de 1961, tomou posse como o 22º presidente do Brasil. O homem da vassoura agora estava no Palácio do Planalto.
Só que aqui vem o momento novela das nove.
25 de agosto de 1961.
Sete meses depois.
Renúncia.
Assim. Do nada.
Na carta, falou em “forças terríveis” que o impediam de governar. O país ficou sem entender nada. Era estratégia? Ele acreditava que o povo iria às ruas implorar sua volta com mais poderes? Foi um erro monumental de cálculo político? Até hoje historiadores discutem.
O que se sabe é que a jogada abriu uma crise institucional gigantesca. O vice, João Goulart, assumiu sob forte resistência militar. A instabilidade cresceu. O clima azedou. E a história brasileira entrou numa espiral que desembocaria no golpe de 1964.
Mas segura a ironia histórica.
O político que construiu carreira inteira dizendo combater a corrupção também enfrentou acusações ao longo da trajetória. A vassoura virou símbolo poderoso… e também motivo de sarcasmo para adversários.
Ele tinha um estilo peculiar: decisões inesperadas, política externa independente que contrariava interesses tradicionais, discursos carregados de dramaticidade. Era imprevisível como roteiro de filme sem final revisado.
E como se nada tivesse acontecido, voltou décadas depois e foi eleito novamente prefeito de São Paulo em 1985, assumindo em 1986 pelo PTB. O homem simplesmente reapareceu na cena política como se o capítulo anterior fosse só intervalo comercial.
Morreu em 1992, deixando uma pergunta que ainda ecoa.
Na política, o que pesa mais: o tempo no poder… ou o impacto de sair no momento exato para virar lenda, polêmica e interrogação ao mesmo tempo?

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