segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Você sabia???

 


A transição entre o governo de João Figueiredo e o de Tancredo Neves ocorreu por meio de uma eleição indireta realizada em 15 de janeiro de 1985. Após a rejeição da emenda que previa o voto direto, a oposição articulou a candidatura de Tancredo Neves pela Aliança Democrática, formada pelo PMDB e por dissidentes do partido governista PDS. No Colégio Eleitoral, Tancredo derrotou o candidato oficial, Paulo Maluf, com 480 votos contra 180. A vitória foi celebrada como o marco do fim de 21 anos de regime militar, estabelecendo um compromisso de redemocratização e a convocação de uma Assembleia Constituinte.


Na véspera da posse, marcada para 15 de março de 1985, Tancredo Neves foi internado às pressas em Brasília com fortes dores abdominais, sendo diagnosticado inicialmente com diverticulite. O impasse sobre quem assumiria o poder gerou tensão institucional, pois Figueiredo se recusava a empossar o vice-presidente José Sarney, que fora líder da base de sustentação do regime militar antes de aderir à oposição. Por decisão do Congresso Nacional e amparo jurídico, Sarney prestou juramento como vice-presidente no exercício da presidência, garantindo que o poder passasse para mãos civis na data prevista.


O período de transição foi marcado pela agonia de Tancredo Neves, que passou por sete cirurgias ao longo de 38 dias, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. João Figueiredo, em sinal de protesto pelo desfecho do processo e por divergências com Sarney, recusou-se a participar da cerimônia de transmissão da faixa presidencial, deixando o Palácio do Planalto por uma porta lateral. José Sarney assumiu então a presidência de forma plena, consolidando a Nova República e iniciando o desmonte do aparato legal do regime anterior sob um clima de luto nacional.



Nenhum comentário:

Postar um comentário